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Ciência e Revolução Científica: Os paradigmas segundo Thomas S. Kuhn

Pesquisa em Ciência da Informação
Prof. Paulo Jannuzzi

Luis Fernando Poletti de Carvalho e Silva

Artigo
Ciência e Revolução Científica: Os paradigmas segundo Thomas S. Kuhn
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Em sua obra,  Samuel Kuhn aborda pontos relevantes como os paradigmas da ciência e sua influência em todas as ciências, pois, ele nos explica que quando alguns conceitos não se encaixam mais dentro destes paradigmas, acontecem às anomalias e estas por sua vez iram fazer com que novos paradigmas apareçam.

Mas para que se possa compreender do que o autor esta falando, é necessário antes de tudo saber: O que é paradigma no ponto de vista de Samuel Kuhn?

Paradigma, segundo o autor, são realizações científicas universalmente conhecidas por uma determinada comunidade científica e que durante algum tempo ira proporcionar fundamentos para a sua prática posterior, ou seja, ira contribuir com as futuras comunidades científicas através das informações adquiridas no passado.

Alguns exemplos destas contribuições científicas que nos ajudaram durante séculos são: “A Física de Aristóteles, o Almagesto de Ptolomeu, os Pricípia e Ótica de Newton, etc.
É necessário sabermos que, segundo Kuhn,  o paradigma em ciência não permite reprodução, pois, é um objeto a ser articulado e precisado em condições novas e rigorosas.

A ciência normal é orientada por um determinado paradigma e abandonar o paradigma é como abandonar ciência normal. Existem três naturezas da ciência normal, a primeira é a determinação dos fatos significativos, a segunda é a harmonização dos fatos com a teoria (paradigma, que seria um padrão ou modelo aceito) e a terceira é a articulação da teoria.

Os paradigmas têm esta importância porque são mais bem sucedidos do que seus competidores na resolução de seus problemas, contudo, segundo Kuhn, ser bem sucedido não significa ter sucesso com um ou vários problemas e sim ter a descoberta em exemplos selecionados e imcompletos, ou seja, ampliar os conhecimentos dos fatos importantes abordados pelo paradigma aumentando a relação entre estes fatos e desenvolver mais ainda o próprio paradigma.

A ciência normal já terá os resultados a que se quer chegar antes do início da pesquisa, isto fará com que o pesquisador seja uma importante peça do quebra  cabeças da ciência, com isso, ira aumentar e ficar mais clara a confirmação do paradigma adotado.

Outro tópico importante abordado pelo autor é a relação entre as regras, os paradigmas e a ciência normal. “Esses paradigmas da comunidade cientifica são revelados em seus manuais, conferências e exercícios de laboratório”, ao estudar este paradigma determinada comunidade aprende ofício.
 
Porém, é necessário deixar claro que os paradigmas têm prioridade em relação às regras, porque normalmente as regras são parte dos paradigmas e elas só tem valor quando ampliam e aperfeiçoam os paradigmas.
Em relação às anomalias, Kuhn relata que elas ocorrem somente quando a pesquisa normal não atinge o resultado esperado, na linguagem científica, quando isso acontece, pode-se afirmar que a natureza violou as expectativas do paradigma. Daí então, é provocada uma crise do e no paradigma, podendo modificar ou gerar um novo paradigma.

Para que haja esta transição de um paradigma para o outro, é necessário que em primeiro lugar já exista outro para substituí-lo, em seguida o antigo paradigma é abandonado.

Embora as crises sejam precondições para a alteração das teorias e os cientistas rejeitem de imediato ao paradigma que os levou à crise, Kuhn coloca em dúvida que toda a mudança de paradigma foi antecedida por uma crise, pois ele afirma que a transição de um paradigma para o outro está longe de ser um processo cumulativo.

Já as revoluções científicas são conceituadas por Kuhn como episódios de desenvolvimento não-cumulativo, nos quais um paradigma antigo é totalmente ou parcialmente substituído por um novo e incompatível com o anterior.
 
Portanto, as revoluções cientificas são cumulativas por ruptura com as teorias antes adotadas.

O autor faz uma comparação entre a revolução da política e da ciência, ambas são iguais quando muda o paradigma, por exemplo, quando os recursos para se resolver os problemas políticos dentro do próprio sistema político se esgotam, é necessário recorrer aos meios externos da política, um exemplo do que esta sendo exposto pelo autor é a persuasão de massas e a violência.

Kuhn afirma que da mesma forma, acontece com a ciência, quando se esgotam os recursos internos da ciência normal, é necessário transformar o próprio paradigma que guia as pesquisas e isto só pode ser feito recorrendo a argumentos externos à ciência.

Desta forma, o autor nos explica que, em momentos de competição entre os dois paradigmas, se estabelece uma discussão de surdos em que cada cientista argumenta através do seu próprio paradigma, é uma verdadeira competição onde cada um quer mostra que o seu paradigma é melhor do que o do outro.  pelo fato de não existir uma base comum a que se possa iniciar uma discussão.

Quando há alguma mudança de paradigma o modo de ver o mundo dos cientistas também muda, pois eles começam a enxergar-lo com outros olhos e de maneira diferente, com isso, eles adotam novos instrumentos, aparelhos e conseguem ver coisas que antes não viam, conclui o autor.

Embora haja a revolução científica, nem toda a comunidade avalia tais revoluções, pois, nem todos conseguem “ver” as revoluções como tal, então Kuhn classifica esta não- visibilidade dos cientistas como “invisibilidade”.

A justificativa para esta invisibilidade do cientista é a de que muitos deles entendem que esses conhecimentos são cumulativos e este é o principal motivo pelos quais as revoluções científicas têm sido tão dificilmente reconhecidas como tais.

 De acordo com Kuhn, os manuais são produzidos, somente a partir dos resultados de uma revolução científica e estes servem para uma nova tradição da ciência normal.

Com isso, conclui-se que os paradigmas concorrem um com o outro na explicação de um determinado fenômeno, até que a comunidade científica se incline para um deles abandonando o outro.
Para vários indivíduos, sejam eles cientistas ou não, o ideal é a transformação da ciência através da sua evolução, cada nova teoria devera substituir a antiga, com o objetivo de se aproximar cada vez mais da verdade.

Um exemplo desse ideal de transformação é a de que no início deste século, da teoria de Newton para a de Einstein, fazendo apenas algumas limitações, como por exemplo, velocidades muito menores do que a da luz, existem alguns problemas nessa derivação das leis de Newton, afirma Kuhn.

O primeiro problema a ser abordado pelo autor é o de que para fazer as chamadas derivações, é necessário restringir as leis de Newton, pelo fato de não podermos esperar que ele em sua teoria não tivesse a pretensão de explicar o movimento de altas velocidades.

O segundo problema, esta relacionado com os conceitos envolvidos nas duas teorias, apesar de representado pelo mesmo nome, tem significados completamente diferentes. Massa, por exemplo é uma quantidade intrínseca de matéria para Newton, mas para Einstein depende do observador.

Deste modo, Kuhn afirma que ambas as teorias além de serem diferentes, são também incomensuráveis, ou seja, não tem medida comum com outra grandeza.

E é no sentido de incomensurabilidade que Kuhn não aceita a idéia de transformação linear em favor da idéia de “revolução científica”.

Este termo foi escolhido devido ao ponto de semelhança com as “revoluções políticas”.

Por último Kuhn faz uma comparação entre a arte e a ciência, citando Leonardo da Vinci como um exemplo que passava livremente de um campo para o outro e diz que somente mais tarde houve a separação definitiva entre estes dois campos de estudo.

A conclusão de Kuhn é a de que a tese para a evolução da ciência não se dá de forma acumulativa e constante e sim pela ruptura dos conhecimentos científicos anteriores, usados pela comunidade científica e utilizados na pesquisa normais. Entretanto, quando estes paradigmas se tornam insuficiente para se explicar à realidade, acontece à anomalia e esta norma como já foi citada anteriormente, aperfeiçoa ou muda determinado paradigma, esta relação é cíclica.

Pode-se notar que a incorporação de novos cientistas a uma comunidade é parecida com a conversão e educação religiosa. Pois para que os cientistas aceitem um novo paradigma, devem passar por um processo de conversão e de rompimento com o antigo paradigma. E é nisto que consiste, segundo Kuhn a revolução científica.

A revolução científica é a passagem de um modo de compreender a natureza e seus problemas científicos e de resolvê-los para outro, que é incomensurável com o primeiro.

Este é um fenômeno necessário do desenvolvimento das ciências maduras.

Uma disciplina científica ou especialidade, passa a existir apenas no momento em que um primeiro paradigma é aceito universalmente, ou quase, pelos indivíduos que investigam o fenômeno. A partir daí, a comunidade científica existe propriamente, e se inicia um período de ciência normal.

Durante este período, os cientistas fazem suas pesquisas orientadas pelo paradigma aceito. Parte de seu trabalho consiste em levantar novos problemas e tentar resolvê-los de modo similar àqueles encontrados no paradigma aceito.
Com isso, o cientista prova o seu valor na medida em que, por sua criatividade e habilidade é capaz de resolver esses problemas.
 


BIBLIOGRAFIA

KHUN, Thomas Samuel. A estrutura das revoluções científicas. 3. Ed. São Paulo: Perspectuva, 1992. 257 p. (série Debates – Ciênca).

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